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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Combate ao crack - Editorial do JORNAL DO POVO - Três Lagoas/MS - 10.12.2011

O plano de combate ao crack lançado em âmbito nacional pelo ministro da Saúde nesta semana que se finda, evidencia formalmente a preocupação das autoridades federais com o avanço do elevado número de usuários desta droga nociva e devastadora. Falta ao país uma política mais efetiva de atendimento a usuários de drogas. A abertura de quase 2, 5 mil novos leitos para atender viciados em crack, certamente, não atenderá a imensa demanda de necessitados de tratamento médico e psicológico. Não se desconhece a importância de centenas de entidades privadas que atuam em socorro daqueles que conscientemente reconhecem a própria condição de dependentes de drogas e que lutam para ficarem livres de suas amarras.

O uso de qualquer droga redunda no esfacelamento do ser humano, que passa abdicar dos valores éticos e morais que norteiam a formação homem em si mesmo e da família como entidade agregadora. A percepção de euforia e satisfação proporcionada pelo uso de qualquer droga além de passageira abre caminhos para o afundamento da pessoa, que gradativamente deixa de ser um ente social e agregador para viver em um mundo que o confina na depressão emocional e no comprometimento das faculdades que estabelecem o exercício de atividades saudáveis que vão desde o estudo, trabalho, prática de exercícios físicos, além das que naturalmente estão implícitas no relacionamento familiar e social. Tomados pelos seus efeitos, não raras vezes, maridos se afastam de suas mulheres e vice versa, rejeitam involuntariamente os filhos, contestam toda e qualquer ação de advertência ou de resgate físico, moral e psicológico vindo de seus pais ou quaisquer outros familiares. O resgate para a vida e para a normalidade de se viver o dia-a-dia dentro de parâmetros estabelecidos pela sociedade se perdem no decurso do período de uso da droga. O quadro é lamentável e de sofrimento para todos. Mesmo quando, os nocivos efeitos da droga ficam circunscritos ao infeliz usuário.

É certo, que o país não está estruturado para prestar assistência efetiva a essa enorme legião vitimada pelas drogas que diariamente assinalam a decadência e a derrota de pessoas que o poder público não consegue resgatar e amparar. Essa triste constatação entre jovens e até crianças, que se deixam levar pelos efeitos da droga, jogando-as para a sarjeta das ruas e da degradação até o fim, se não as leva à morte, as debilita para o resto da vida deixando-as lentas no raciocínio ou abatidas no vigor físico. O combate ao uso de qualquer droga, incluído o crack deve ser uma luta sem quartel pela sociedade civil, que tem que se mobilizar na defesa da juventude alertando-a para os seus malefícios. Embora, seja controverso entre especialistas a internação involuntária que alcança aquele que se encontra fora da própria razão, entorpecido pelos efeitos da droga, o que se extrai como lição é que o debate ao ser estabelecido na pior das hipóteses está alertando a sociedade como um todo para não se eximir de responsabilidades e ser mais solidária e vigilante em relação, primeiramente, com os próprios filhos, e em seguida com todos os que formam o seu circulo de relacionamento. Assim, cada cidadão poderá dar sua contribuição ao combate permanente ao uso de drogas, suplementando a ação do poder público, que até hoje, ainda se mostra ineficiente para combater com resultados positivos essa tremenda chaga que infelicita a família brasileira.
















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